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Sonhos
Para Freud, o sonho tem sentido: é a realização disfarçada de um desejo, e se interpreta pelas associações de quem sonhou.
Fonte
Freud, S. A interpretação dos sonhos (1900). In: Obras completas, v. 4. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
"A interpretação dos sonhos" saiu no fim de 1899 com a data de 1900 na página de rosto. É o livro em que Freud propõe que o sonho não é um ruído do cérebro adormecido, e sim uma formação psíquica com sentido, que pode ser lida.
Realização de desejo
A tese central do livro é que o sonho é a realização de um desejo. Como o desejo muitas vezes é inaceitável para quem sonha, ele aparece disfarçado. Freud distingue o conteúdo manifesto, aquilo que se lembra ao acordar, dos pensamentos latentes, aquilo que o sonho diz por trás da cena.
O trabalho do sonho
A passagem dos pensamentos latentes para a cena sonhada é feita pelo que Freud chama de trabalho do sonho:
- condensação: várias ideias se juntam numa imagem só;
- deslocamento: a importância passa de um elemento para outro, aparentemente banal;
- consideração pela figurabilidade: pensamentos viram imagens;
- elaboração secundária: o sonho é arrumado para parecer uma história coerente.
Muitas vezes o sonho aproveita restos do dia anterior como material.
Não é dicionário de símbolos
Freud não propõe uma tabela em que cada imagem tem um significado fixo. O caminho é perguntar a quem sonhou o que cada elemento lhe faz lembrar, pela associação livre. Um mesmo sonho pode dizer coisas diferentes para duas pessoas, porque cada sujeito tem a própria história.
Na clínica
Contar um sonho em sessão é uma forma de levar o inconsciente para a fala. Não é preciso lembrar dele inteiro: os fragmentos e até o esquecimento também dizem algo.
Fontes
- Freud · A interpretação dos sonhos (1900), em Obras completas, v. 4 (Companhia das Letras, 2019, trad. Paulo César de Souza)
- Laplanche e Pontalis · Vocabulário da psicanálise (1967; Martins Fontes, 4ª ed., 2001, trad. Pedro Tamen)
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