Pular para o conteúdo
Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

Wiki Conceitos

Pulsão

Uma força que nasce no corpo e pede satisfação no psiquismo; não é o mesmo que instinto animal.

Freud, 19152 min de leitura

Fonte

Freud, S. Os instintos e seus destinos (1915). In: Obras completas, v. 12. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Pulsão é a tradução corrente de Trieb, termo central de Freud. Ele também usa Instinkt, mas reserva essa palavra para comportamentos fixos, herdados, como os dos animais. A pulsão é outra coisa: uma exigência de trabalho que o corpo impõe ao psiquismo e que não tem um caminho único de satisfação. A tradução da Companhia das Letras escolheu "instinto" para Trieb, e por isso o ensaio de 1915 aparece lá como "Os instintos e seus destinos".

Os quatro elementos

Em "Os instintos e seus destinos" (1915), Freud descreve a pulsão por quatro termos:

  • pressão: a quantidade de força, o fator motor;
  • meta: a satisfação, que só se alcança suspendendo a excitação;
  • objeto: aquilo pelo qual a pulsão chega à meta, o elemento mais variável, que não está fixado de antemão;
  • fonte: o processo corporal de onde a excitação parte.

Por estar entre o corpo e a representação, Freud a apresenta como um conceito-limite entre o psíquico e o somático.

Os destinos

O mesmo ensaio lista os destinos possíveis de uma pulsão: a reversão no contrário, o retorno à própria pessoa, o recalque e a sublimação. Ou seja: a pulsão pode mudar de alvo, de direção e de forma, e é isso que torna a vida psíquica humana tão variada.

Por que importa

A ideia de que o objeto não é fixo ajuda a entender por que cada sujeito ama, deseja e sofre de um jeito singular. O verbete desejo e o verbete narcisismo desdobram essa questão.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.