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Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

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Desejo

Não é o mesmo que necessidade nem que vontade: é o que move o sujeito, nunca se satisfaz por completo e se diz na fala.

Freud, 19002 min de leitura

Fonte

Freud, S. A interpretação dos sonhos (1900). In: Obras completas, v. 4. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Na linguagem comum, desejar é querer alguma coisa. Na psicanálise, o desejo é um conceito central e mais complicado: não se confunde com a necessidade, como a fome, nem com a vontade consciente de conseguir algo.

Em Freud

O termo alemão é Wunsch. Em "A interpretação dos sonhos" (1900), Freud liga o desejo a experiências de satisfação da infância: o desejo seria o movimento de reencontrar algo daquela satisfação, que deixou marcas. O sonho é o lugar exemplar em que ele aparece, realizado de forma disfarçada. O Vocabulário de Laplanche e Pontalis observa que o desejo, em Freud, está ligado a sinais e lembranças, e não a um objeto real que bastaria obter.

Por que nunca se satisfaz por completo

Como o desejo não aponta para um objeto fixo (ver pulsão), nenhuma conquista o encerra. Isso explica por que alcançar o que se queria pode trazer, junto com a alegria, um estranho vazio. Na leitura de Jacques Lacan, que fez do desejo um eixo de sua retomada de Freud, essa falta não é defeito: é o que mantém o sujeito em movimento.

Desejo e culpa

Muitas vezes o desejo é inaceitável para o próprio sujeito e cai sob o recalque. Volta, então, em sintomas, inibições ou na sensação de não saber o que se quer. O complexo de Édipo é a primeira cena dessa trama.

Na clínica

Uma análise não diz a ninguém o que desejar. Ela abre espaço para que o sujeito descubra o próprio desejo, se responsabilize por ele e dê novas respostas às suas questões, em vez de viver só segundo o que esperam dele.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.