Pular para o conteúdo
Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

Wiki Clínica

Resistência

Tudo o que, no próprio tratamento, se opõe ao acesso ao inconsciente; não é má vontade, é parte do caminho.

Freud, 19142 min de leitura

Fonte

Freud, S. Recordar, repetir e elaborar (1914). In: Obras completas, v. 10. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Quem já fez análise conhece a cena: o assunto que se queria trazer some na hora, a sessão é esquecida, a fala parece vazia justo quando algo importante se aproximava. A psicanálise chama isso de resistência.

Não é culpa de quem fala

Resistir não é falta de interesse nem desobediência. A resistência é a mesma força que mantém o recalque, agora atuando dentro do tratamento. Ela indica que o trabalho tocou num ponto sensível, e por isso é tão informativa quanto o que é dito.

Recordar, repetir e elaborar

Em "Recordar, repetir e elaborar" (1914), Freud observa que muitas vezes o paciente não recorda o que foi esquecido, mas o repete em atos, inclusive na relação com o analista, sem saber que está repetindo. A transferência é o campo em que essa repetição pode ser reconhecida. Freud chama de elaboração o trabalho de atravessar as resistências aos poucos, e insiste que ele leva tempo: nomear uma resistência não a desfaz de uma vez.

As formas da resistência

No adendo de "Inibição, sintoma e angústia" (1926), Freud distingue cinco tipos de resistência, vindas de instâncias diferentes: a do recalque, a da transferência, a do ganho com a doença, a da compulsão à repetição e a que vem da culpa inconsciente, ligada ao supereu.

Na clínica

Diante da resistência, quem escuta não força nem acusa. Pergunta, espera, aponta repetições. O ritmo do tratamento respeita o tempo de cada sujeito, porque falar sobre dores e sofrimentos, por mais necessário que seja, não é fácil. Ver também associação livre.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.