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Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

Wiki Conceitos

Ato falho

O lapso, o esquecimento ou o engano do dia a dia que, para a psicanálise, não é puro acaso.

Freud, 19012 min de leitura

Fonte

Freud, S. Psicopatologia da vida cotidiana (1901). In: Obras completas, v. 5. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

Trocar o nome de uma pessoa pelo de outra, esquecer um compromisso que não se queria cumprir, perder justamente o objeto que lembra alguém, dizer o contrário do que se pretendia. São os atos falhos, que Freud reuniu em "Psicopatologia da vida cotidiana" (1901).

O livro de 1901

O livro começa com um esquecimento do próprio Freud: o nome do pintor Signorelli, que lhe escapou numa conversa de viagem. A partir desse e de muitos outros exemplos, dele e de pessoas próximas, Freud examina esquecimentos de nomes e de palavras, lapsos de fala, de leitura e de escrita, equívocos na ação e objetos perdidos ou quebrados.

O que eles mostram

A tese é que esses enganos têm sentido. Eles surgem do encontro entre uma intenção consciente e outra, que estava afastada pelo recalque e encontra ali uma saída. Por isso o ato falho é uma das portas mais cotidianas para o inconsciente: mostra que ele não é coisa só de quem está em sofrimento intenso, e sim parte da vida psíquica de todo mundo.

Sem caça às bruxas

Isso não quer dizer que todo engano revele uma verdade escondida, nem que alguém deva ser julgado pelo que disse sem querer. O sentido de um ato falho não é dado de fora, por quem ouve: aparece quando quem o cometeu fala sobre ele e associa livremente.

Na clínica

Em análise, um lapso costuma ser recebido com curiosidade, e não com correção. "O que lhe vem à cabeça sobre isso?" é, muitas vezes, mais útil do que qualquer explicação pronta. Assim o ato falho se aproxima do sonho e do sintoma.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.