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Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

Wiki Clínica

Escuta

A posição de quem atende: atenção flutuante, sem selecionar de antemão o que é importante, sem julgar e sem impor um ideal.

Freud, 19122 min de leitura

Fonte

Freud, S. Recomendações ao médico que pratica a psicanálise (1912). In: Obras completas, v. 10. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Escutar parece simples, mas a escuta psicanalítica tem uma forma própria. Ela é o par da associação livre: se quem fala é convidado a não selecionar, quem escuta também não deve selecionar de antemão o que é importante.

Atenção flutuante

Em "Recomendações ao médico que pratica a psicanálise" (1912), Freud descreve essa posição como uma atenção que paira por igual sobre tudo o que é dito, no alemão gleichschwebende Aufmerksamkeit, traduzida em português como atenção flutuante. Quem escuta procurando só o que já espera encontrar acaba ouvindo apenas o que já sabia.

Outras recomendações do texto

No mesmo artigo, Freud desaconselha tomar notas extensas durante a sessão, porque isso desvia a atenção, e alerta contra a ambição terapêutica e a ambição educativa: o analista não deve querer moldar o paciente à própria imagem nem decidir por ele o que é uma vida boa.

Escuta não é conselho

Por isso a escuta analítica raramente dá respostas prontas. O objetivo é que o sujeito possa se escutar, ouvir o que diz e o que não sabia que dizia, e encontrar as próprias respostas para as suas questões. Isso exige tempo e implicação de quem fala.

Singularidade

Escutar alguém como sujeito significa não reduzi-lo a uma categoria: nem ao diagnóstico, nem ao que se costuma esperar de uma mulher, de um homem, de um adolescente. Cada história é lida na sua particularidade, e é nela que se estabelece a transferência.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.