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Associação livre
A regra fundamental da análise: dizer o que vier à cabeça, sem selecionar pelo que parece importante, coerente ou adequado.
Fonte
Freud, S. O início do tratamento (1913). In: Obras completas, v. 10. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Associação livre é o método que dá forma à sessão de análise. Quem fala é convidado a dizer o que lhe vem à cabeça, inclusive o que parece desimportante, sem relação com o assunto, constrangedor ou desagradável.
De onde veio
Freud começou tratando seus pacientes com hipnose e sugestão, como outros médicos da época. Aos poucos, abandonou esses recursos e passou a pedir que os pacientes falassem. Os "Estudos sobre a histeria" (1895) registram esse caminho, inclusive o momento em que uma paciente, Emmy von N., pediu que ele parasse de interrompê-la e a deixasse contar o que tinha a dizer. O método também foi aprendido com quem era atendido.
A regra fundamental
Em "O início do tratamento" (1913), Freud apresenta a associação livre como a regra fundamental da análise e compara a posição de quem fala à de um viajante sentado à janela de um trem, que descreve a quem está ao lado as paisagens que vê passar. Não se trata de organizar um relato, mas de deixar a fala seguir.
Por que funciona
Quando a fala não é guiada pela intenção de ser coerente, aparecem ligações inesperadas entre lembranças, sonhos e queixas. É por esses desvios que o inconsciente se faz ouvir. Os pontos em que a associação trava, muda de assunto ou silencia também interessam: são sinais de resistência.
Um ambiente sem julgamento
A associação livre só é possível se quem fala não for julgado pelo que diz. Do lado de quem escuta, o correspondente é a atenção flutuante, descrita no verbete escuta. As duas posições, juntas, sustentam o trabalho.
Fontes
- Freud · O início do tratamento (1913), em Obras completas, v. 10 (Companhia das Letras, 2010, trad. Paulo César de Souza)
- Freud e Breuer · Estudos sobre a histeria (1895), em Obras completas, v. 2 (Companhia das Letras, 2016, trad. Laura Barreto, rev. Paulo César de Souza)
- Laplanche e Pontalis · Vocabulário da psicanálise (1967; Martins Fontes, 4ª ed., 2001, trad. Pedro Tamen)
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