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Diagnóstico e sofrimento
O diagnóstico orienta o cuidado e garante direitos, mas não diz quem a pessoa é; quando vira rótulo, apaga a singularidade.
Fonte
Dunker, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015.
Receber um diagnóstico pode aliviar: dá nome ao que se sente, orienta o tratamento, dá acesso a direitos. Mas um nome de transtorno também pode virar uma identidade ("eu sou ansiosa", "ele é bipolar") e encobrir a história de quem sofre.
Rótulo e singularidade
O psicanalista Christian Dunker, em "Mal-estar, sofrimento e sintoma" (2015), discute como a cultura contemporânea tende a transformar o sofrimento em categorias diagnósticas, e propõe pensar o diagnóstico também como um fato social: a forma como uma época nomeia o sofrimento diz algo dessa época. Para a psicanálise, dois sujeitos com o mesmo diagnóstico podem ter sintomas com histórias e sentidos completamente diferentes.
Quem pode diagnosticar
No Brasil, a Lei nº 4.119/1962 (art. 13, § 1º) inclui o diagnóstico psicológico entre as funções privativas do psicólogo, e os testes psicológicos são de uso privativo da profissão. A Resolução CFP nº 31/2022 trata da avaliação psicológica e regulamenta o SATEPSI, o sistema do Conselho Federal de Psicologia que avalia quais testes podem ser usados. Questionários de internet não são testes psicológicos e não diagnosticam ninguém.
Cuidado e ética
Diagnosticar com cuidado significa usar o nome a favor de quem sofre, e não contra. Isso pesa especialmente para grupos historicamente desacreditados, como mostra o verbete o feminino e o silenciamento de mulheres. Um diagnóstico não diz totalmente sobre quem a pessoa é.
Na clínica
A escuta psicanalítica não ignora o diagnóstico, mas não começa nem termina nele. Pergunta o que aquele sofrimento diz da vida de quem fala, e como cada um pode encontrar novas respostas para ele. Ver também escuta.
Fontes
- Dunker · Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros (Boitempo, 2015)
- Lei nº 4.119/1962, art. 13, § 1º (funções privativas do psicólogo)
- CFP · Resolução nº 31/2022 (avaliação psicológica e SATEPSI, 2022)
Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.