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Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

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Luto e melancolia

O luto é o trabalho, doloroso e demorado, de se desligar de quem se perdeu; na melancolia, a perda atinge o próprio eu.

Freud, 19172 min de leitura

Fonte

Freud, S. Luto e melancolia (1917 [1915]). In: Obras completas, v. 12. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

"Luto e melancolia" foi escrito em 1915 e publicado em 1917. É um texto curto, um dos mais lidos de Freud, e compara duas reações à perda: uma esperada, outra adoecida.

O trabalho do luto

Diante da morte de alguém amado, mas também da perda de um lugar, de um projeto ou de uma relação, o sujeito precisa reconhecer que o objeto não existe mais e retirar dele, aos poucos, o investimento afetivo. Freud chama isso de trabalho do luto. Ele é lento, feito lembrança por lembrança, e dói. Por isso o luto não é uma doença: é um processo necessário, que não se apressa por decreto.

A melancolia

Na melancolia, o quadro é parecido, com tristeza profunda, desinteresse pelo mundo e incapacidade de amar, mas há um traço a mais: uma queda intensa da autoestima, com autoacusações. Às vezes a pessoa nem sabe ao certo o que perdeu. Freud observa que muitas dessas acusações, escutadas com atenção, parecem dirigidas à pessoa perdida, como se ela tivesse sido incorporada ao próprio eu por identificação. É aqui que o texto conversa com o narcisismo.

Para que serve a diferença

A distinção ajuda a não patologizar a tristeza de quem perdeu alguém e, ao mesmo tempo, a levar a sério quando a dor se volta contra o próprio sujeito. O texto é de 1917; os termos psiquiátricos de hoje são outros, e o verbete diagnóstico e sofrimento trata dessa diferença.

Na clínica

Falar de quem se perdeu, repetir histórias, lembrar detalhes: em análise, isso não é ficar preso ao passado, é o próprio trabalho do luto. Ver também angústia.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.