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Loreta AndradePsicóloga e Psicanalista · CRP 04/60563

Wiki Mulheres e sociedade

O feminino e o silenciamento de mulheres

Como a psicanálise pensou a mulher, o que ela própria reconheceu não saber, e como rótulos ainda servem para calar mulheres.

Kehl, 19982 min de leitura

Fonte

Kehl, M. R. Deslocamentos do feminino: a mulher freudiana na passagem para a modernidade. Rio de Janeiro: Imago, 1998; 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

A psicanálise nasceu escutando mulheres (ver histeria), mas também carregou os limites da época em que surgiu. Olhar para essa história com cuidado é parte do próprio método: escutar o sujeito, e não o lugar que a sociedade reservou para ele.

O que Freud reconheceu não saber

Na conferência "A feminilidade" (1933), Freud expõe as suas hipóteses sobre o desenvolvimento da menina e termina admitindo que o que tinha a dizer era incompleto e fragmentário, sugerindo que se buscasse mais na experiência de cada um, nos poetas ou em pesquisas futuras. Muitas de suas ideias sobre a mulher foram discutidas e criticadas depois, inclusive por psicanalistas.

Uma leitura brasileira

Em "Deslocamentos do feminino", originado da tese de doutorado de Maria Rita Kehl, a autora examina como a ideia de feminilidade se formou na passagem para a modernidade e como as mulheres que procuravam Freud viviam o conflito entre o lugar que lhes era imposto e o desejo de outra coisa.

Gênero e sofrimento

A psicóloga Valeska Zanello, em "Saúde mental, gênero e dispositivos" (2018), propõe que o sofrimento psíquico também se organiza pelo gênero: o que se espera de uma mulher, no amor, na maternidade, no corpo, produz formas próprias de adoecer.

O silenciamento

Chamar uma mulher de louca, de descontrolada, de "hormonal" é uma forma antiga de não escutar o que ela diz. Hoje, o mesmo pode acontecer com nomes de transtornos usados fora do cuidado clínico, para desacreditar um relato. Um diagnóstico pode ser útil, mas não diz totalmente quem a pessoa é (ver diagnóstico e sofrimento). Para a clínica, a questão é ética: oferecer um lugar onde a mulher possa falar e ser levada a sério como sujeito, com sua singularidade.

Fontes

Conteúdo educativo; não substitui atendimento. Em crise: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou SAMU 192.